O nosso mundo vive actualmente uma espécie de prelúdio de uma «Dark Age», que se materializa no esvaziamento espiritual da civilização ocidental por uma cultura do «economês», e na sua desfragmentação social que destrói os seus alicerces vitais. A descristianização das sociedades ocidentais, é feita com consequências inultrapassáveis na garantia da inviolabilidade dos direitos da pessoa humana e no respeito pela sua liberdade, com consequências políticas a longo prazo. Por outro lado o avanço da técnica e do conhecimento não são suficientes para impedir este definhamento, pelo contrário, poderão acelará-lo pela destruição, caso se inicie uma guerra global, cuja probabilidade aumenta em razão da incrementação da solução autoritária.
Assim o caos se que vive atualmente na ordem internacional é figurativo da fragmentação das instituições e do seu espírito, incapaz de construir qualquer consenso ou visão, para além dos egoísmos nacionais. A crise pandémica veio acelerar este processo, de crises atrás de crises, até a luz da civilização se fechar definitivamente sobre nós.
Sensivelmente há 1500 anos atrás, o mundo antigo ruiu definitivamente, com a queda de Roma em 476 A.C e da sua «pax romana». A geografia europeia tornou-se um bando de retalhos ocupada pelos povos bárbaros que se moviam e se digladiavam em território europeu, a partir da pilhagem e da guerra. Actualmente o retrocesso civilizacional advêm pelo desgaste das instituições multilaterais do pós-guerra, nomeadamente as Nações Unidas e as suas agências, a Organização Mundial de Comércio, herdeira do GATT, e que hoje se encontra inoperante, e até a própria NATO se encontra em crise existencial pela relutância dos EUA em liderá-la.
A fragilidade destas três instituições de âmbito global, que estruturam a ordem internacional, abre as portas a anarquia internacional e colocam em perigo os últimos 70 anos da «pax americana». O principal vírus responsável pelo seu desgaste é o recrudescimento dos nacionalismos, que tem como principal dinamizador, o soft e hard power do autoritarismo Chinês. Com a crise financeira de 2008, a China tornou-se uma super-potência à escala global, por ter conseguido diplomaticamente a anuência Americana para a sua entrada para a Organização Mundial do Comércio em 2001 e economicamente, integrando os circuitos de cadeias de produção internacionais, e assim, aproveitar a globalização ocidental ao máximo, apesar da sua cultura histórica introspeta. Exportando os seus capitais para os países mais afectados pela crise, comprando empresas e concessões de infra-estruturas essenciais a preços baixos, semeia o seu poder vindouro em territórios estrangeiros, de modo a abrir novos mercados aos seus produtos.
Até hoje a política Ocidental, especificamente a política Americana, seguindo o axioma de que o desenvolvimento económico despoleta reformas de teor democrático, abriram as portas do comércio mundial à China. Contudo o vertiginoso crescimento Chinês e a chegada de Xi Jiping, que incrementou uma centralização do seu poder, no seio do partido comunista, para alêm de descredibilizar este axioma, permitiu à China escalar inexoravelmente a escada do poder, sem garantias de respeito pela inviolabilidade dos direitos da pessoa humana, ou sequer com garantias políticas de liberdades, tornando-se uma série ameaça à actual ordem internacional e à civilização ocidental.
A fragilidade destas três instituições de âmbito global, que estruturam a ordem internacional, abre as portas a anarquia internacional e colocam em perigo os últimos 70 anos da «pax americana». O principal vírus responsável pelo seu desgaste é o recrudescimento dos nacionalismos, que tem como principal dinamizador, o soft e hard power do autoritarismo Chinês. Com a crise financeira de 2008, a China tornou-se uma super-potência à escala global, por ter conseguido diplomaticamente a anuência Americana para a sua entrada para a Organização Mundial do Comércio em 2001 e economicamente, integrando os circuitos de cadeias de produção internacionais, e assim, aproveitar a globalização ocidental ao máximo, apesar da sua cultura histórica introspeta. Exportando os seus capitais para os países mais afectados pela crise, comprando empresas e concessões de infra-estruturas essenciais a preços baixos, semeia o seu poder vindouro em territórios estrangeiros, de modo a abrir novos mercados aos seus produtos.
Até hoje a política Ocidental, especificamente a política Americana, seguindo o axioma de que o desenvolvimento económico despoleta reformas de teor democrático, abriram as portas do comércio mundial à China. Contudo o vertiginoso crescimento Chinês e a chegada de Xi Jiping, que incrementou uma centralização do seu poder, no seio do partido comunista, para alêm de descredibilizar este axioma, permitiu à China escalar inexoravelmente a escada do poder, sem garantias de respeito pela inviolabilidade dos direitos da pessoa humana, ou sequer com garantias políticas de liberdades, tornando-se uma série ameaça à actual ordem internacional e à civilização ocidental.
Poderão afirmar que exagero, que a civilização ocidental não está em risco, apenas a ordem multilateral Americana do pós-guerra, que naturalmente é posta em causa por um rival sistémico, a China.
Julgo que não. A forma como a China lidou com o aparecimento do Covid-19, atrasando em pelo menos duas semanas, a revelação do genoma do Covid 19 à Organização Mundial de Saúde (OMS), ainda que os estatutos da OMS, obrigue os Estados a fornecerem informação relevante para a saúde pública mundial, revela uma lógica de poder, contrária ao direito internacional e destruidora de qualquer ordenamento internacional. As consequências conhecidas até hoje, resultaram na maior recessão económica global que há registo, e em incontáveis mortes e sofrimento.
Assim, não existe ordenamento internacional sem respeito pelas regras internacionais. Ao contrário da civilização Ocidental, que é constituído por uma miríade de estados, que ao longo de séculos, desenvolveram um direito internacional baseado na reciprocidade e igualdade, no seio de uma cultura comum, a China é uma estado-império, que abrange a civilização Chinesa, historicamente uma das mais refinadas e antiga civilizações do mundo, sem tradição de reciprocidade nas relações internacionais.
O poder Chinês que se quer transformar outra vez, no «império do meio», foi granjeado nos últimos 20 anos, devido a um período de optimismo nas relações internacionais e de expansão das democracias, com o colapso do Império Soviético. Hoje, o ordenamento internacional está a ser posto à prova, a liberalização dos mercados provou ser insuficiente para imbutir uma cultura democrática e dos direitos dos homens, assim no refluxo da maré, os braços da globalização só poderão nadar em águas amistosas e conhecidas. Países não democráticos não poderão continuar a ludibriar as instituições internacionais, sem o risco de as destruir.
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