Hoje dia 5 de Junho de 2020, dia Mundial pelo meio ambiente, foi notícia que Maio do corrente ano, foi o mês de Maio registado, mais quente de sempre. Para quem acompanha a algum tempo estes registos sabe que tem havido sucessivos recordes de anos mais quentes e de meses mais quentes, sobretudo desde a viragem do milénio. Como todas as pessoas avisadas, o alarmismo é mau conselheiro e previsões apocalípticas apenas sãos boas, para incutir o medo e a uma inacção derivado do radicalismo das suas propostas.
Por outro lado um Cristão que descura da sua responsabilidade de cuidar da terra e da preservação da vida, favorecendo uma liberdade humana sem limites e irresponsável, negligencia a sua condição natural, porque o homem é espírito e vontade, mas também é natureza como relembrou o Papa Bento XVI.
A ecologia cristã é uma ecologia integral nas palavras do Papa Francisco, aborda a natureza humana e a natureza terrestre, seguindo o principio que todas a criação está ligada entre si, partilhando uma origem comum, Deus Criador. Não tenhamos dúvidas, a irresponsabilidade humana, quer individual quer colectiva, está presente na cultura do descartável, na destruição dos ecossistemas locais e regionais, no consumo alimentar desmedido que danifica e desfigura o corpo humano, na prossecução de metas económicas que não procuram o bem estar humano e social, e que apenas provocam mais destruição ambiental. Repito, não tenhamos dúvidas, comete-se assim pecado contra o mundo, e contra o seu criador.
Os cristãos que ainda não acordaram para este fato simples, que os seus atos têm implicações para o bem estar da terra, o fazem quer por motivos políticos, ideológicos ou por considerações apenas egoístas, são negacionistas e permanecem em combates periféricos. O desenvolvimento atual advogado por todos os países, e que é transversal a todas as ideologias mais liberais ou mais estatizantes, perante os fatos atendíveis e esmagadores, têm que optar pelos fins morais da economia, se quiserem que esta sobreviva a médio prazo. Optar por uma economia de rosto humano na expressão de Armatya Sen, é desde já, prevenir novas crises financeiras como a ocorrida em 2008, que têm raízes numa profunda crise ecológica humana.
Infelizmente pouco apreendemos. A economia atual continua a matar, começando pela vida humana através de inúmeras doenças cardiovasculares e de foro mental, e claro, de forma surpreendente e inédita na história, atinge o planeta terra, uma economia que destrói os equilíbrios naturais. Optar pela ecologia integral proposta pelo Papa Francisco é conjugar essas duas realidades que são na sua essência, uma.
Uma economia livre é sobretudo uma economia sustentável, que tem como eixo principal a retransformação e reutilização dos recursos de modo que nada se perde, como a natureza ensina. Uma economia de maximização dos lucros, assenta na maximização das perdas de recursos ambientais é uma economia danificadora e que nenhum cristão pode defender, sem pecar contra Deus. Os cristãos não tenham dúvidas, a destruição dos equilíbrios ambientais do planeta terra, são um sintoma de uma avareza e orgulho sem limites que prejudica sobretudo a humanidade. Meditemos no que o Papa afirma:
Se «os desertos exteriores se multiplicam no mundo, porque os desertos interiores se tornaram tão amplos», a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior. Entretanto temos de reconhecer também que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente. Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Falta-lhes, pois, uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa. (Laudato Si, 2015, Papa Francisco)A ecologia da terra hoje, depende de uma ecologia humana.

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