Thursday, June 4, 2020

A actual Política de meninos mal comportados, Trump e Bolsonaro.

Nas sociedades ocidentais, a viragem do milénio confirmou a vitória de determinadas políticas progressistas (anti-cristãs) no campo social, que muito incomodaram os sectores mais tradicionalistas, ainda que este tivessem o mérito de mostrar que claramente estavam contra. Portugal é um bom exemplo deste fenómeno, com uma tradição católica inegável da sua história, viu o aborto ser aprovado numa 2º referendo, a eutanásia também foi aprovada numa 2º volta, no caso na assembleia na república, e o casamento gay. Em apenas 20 anos a agenda progressista e secular teve três importantes vitórias, face à desprotecção da vida humana camuflada num «humanismo pós moderno» na cultura ocidental. O «ethos» da dignidade da vida humana viu-se mais enfraquecido a longo prazo, face aos totalitarismos da história.

Se considerarmos o axioma que a liberalização dos costumes antecede e acompanha sempre uma liberalização económica, ajuda-nos a explicar a origem da crise financeira de 2008 nos EUA.  Max Weber explicou que a origem do capitalismo, emergiu de um «ethos» alimentado no seio de seitas cristãs que viam na acumulação de riqueza, um sinal de salvação. Quando o «ethos» do capitalismo centra-se no dinheiro, este desmorona-se. 

Sendo que a Europa não foi a culpada da crise financeira de 2008, alimentou o «ethos» de «maximização dos lucros», com o enfraquecimento no seu seio do «ethos» da vida humana. O que é a generalização da Eutanásia, senão uma racionalização económica da vida? 

Enquanto na sua parte ocidental, o continente Europeu, a «derrota da vida» e a «maximização dos lucros», até hoje,  não elevou nenhum líder populista ao poder, desgastou sobremaneira o sistema político em Itália, França ou Grécia, proporcionando uma radicalização do discurso político. Mais grave foi o que sucedeu no outro lado Atlântico num país de tradição evangélica como o EUA e de tradição católica como o Brasil, aqui houve uma radicalização vitoriosa, que resultou na eleição de Trump e de Bolsonaro. Ambos apoiados firmemente pelos sectores evangélicos dos seus países. No caso Brasileiro tem ocorrido nos últimas décadas um crescimento exponencial do evangelismo que ajuda a explicar alguma radicalização religiosa.


A realidade é que no continente Americano a luta contra a cultura secular é maior do que no continente Europeu. A origem desta divergência de posições no seio das igrejas cristãs, mas também no seio de países de tradição católica e países com maior tradição protestante, é sobretudo determinada pela história, em que no primeiro caso (tradição católica), há hoje um maior colaboracionismo com o estado, protegendo o bem comum, a partir de uma maior valorização de uma sensibilidade humanista e social,  em detrimento de uma  ênfase maior, na luta moral contra os avanços da cultura secular,  que é mais comum nos países de tradição protestante, ou forte componente evangélica. Estes últimos conseguiram a eleição de dois líderes populistas que estão sobremaneira a criar uma divisão no seio das suas próprias sociedades, adoptando uma visão maniqueísta, de eles contra nós. Não é de admirar que líderes populistas, assentes em bases evangélicas e nacionalistas, sejam moralistas, e excomungam uma parte da sociedade e consigam arregimentar e radicalizar a sua facção de apoiantes.

A verdade é que se pode fazer muitas críticas à Igreja Católica, e até a uma certa passividade face ao Estado e à sua cultura secular, mas a história milenar da igreja e a sua natureza universal, deram-lhe todo o tipo de anticorpos para não cair em armadilhas de facciosismo políticos ou religioso, ainda que com base em questões importantes para os Católicos, como as que dizem respeito à vida.

Lembrem-se de quando Cristo acusou os Fariseus de serem hipócritas, por engolirem camelos e filtrarem moscas, pela forma como viviam o Judaísmo. Cabe aos Cristãos hoje não cair no mesmo erro, não engulamos Camelos ao aceitar líderes cristãos, que criem todo tipo de divisões e discriminações maniqueístas, condenando comunidades inteiras de refugiados e estrangeirados, apenas porque falam o que queremos ouvir, e  vestem-se bem, mas o seu espírito não tem outra definição, que não do anticristo, são apenas hipócritas.

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