Boa Tarde!
O meu nome é António Pais, criei este blog com o objectivo de debater e reflectir sobre a actualidade da fé cristã, conjuntamente com a actualidade do mundo e a forma simbiótica com ambas se relacionam. Hoje, encontrámo-nos na ressaca do Covid-19, vírus que se abateu sobre nós, sem aviso ou atenção. Confinados em casa e distanciados uns dos outros, o vírus sem dúvida nenhuma fez acelerar a história, colocou à prova as instituições, os estados, os homens e mulheres, e sobretudo também a Igreja.
O que vivemos neste ano foi inédito na história cristã, que naturalmente confunde-se com a história do ocidente. Pela primeira vez desde as suas origens, a celebração da Páscoa e a celebração dominical fez-se sem a comunidade, sem fieis, sem o povo de Deus. Este fato por si só, tem implicações imensas na reflexão teológica, mas também cultural, social e humana, enquadrada na história cristã. A missa onde Deus se faz Pão, sacrifício incruento que repete de forma misteriosa o sacrifício humano e Divino de Jesus Cristo na Terra. Sacrifício Perfeito que o Homem oferece a Deus, que o próprio Deus ofereceu ao Homem como meio de Salvação, que resolve os mistérios do pecado e do mal, logo, do sofrimento humano, esfumou-se da comunidade Cristã.
O impacto teológico de tal eclipse, originado naturalmente por protecção da vida humana, não é de negligenciar. Se considerarmos que toda a teologia Católica desde o Concilio Vaticano II, deu uma guinada no sentido da Missa, orientado-a para o povo, colocando o seu centro no povo, não podemos deixar de perguntar, então as missas sem povo mantiveram a sua validade? As missas vazias mantiveram a sua eficácia e eficiência no culto a Deus e na destruição do mal no mundo? Bom a resposta para nós cristãos, parece óbvia, é claro que as missas privadas que os padres rezaram mantiveram a sua validade, além de terem sido essenciais para eliminar este mal da Terra. (Outro tópico para outro posto, é o impacto que teve no povo cristão, a ausência de comunhão, centro da fé cristã.)
Então resta-nos perguntar qual é o papel do povo cristão na celebração da Santíssima Eucaristia? A resposta simples, que devemos aos fatos acontecidos nestes últimos tempos de combate ao Covid-19 e com anuência da Igreja é nenhuma! Sim, nenhuma. O povo de Deus que vai à missa, infelizmente cada vez em quantidades menores, não vai celebrar uma ceia, onde o convívio exterior humano é central, não, desculpem os ouvidos mais progressistas de fé cristã. O povo de Deus que vai à missa, vai buscar o remédio espiritual, mais, vai buscar apenas a presença real de Jesus Cristo que por meio da consagração dos Padres, se faz presente na hóstia que é recebida por cada um de nós, iniciando-se um convívio interior! Qual sol ante a lua, é o convívio interior sobre o convívio exterior.
A celebração comunitária da Santa Missa é o dom do próprio Cristo, que por meio da sua Igreja se faz presente no interior de cada um de nós que comunga. Ou será que a oração sem Eucaristia é de igual modo poderosa? Óbvio que não, mas foi neste estado que a Igreja deixou o seu povo..
Aqui neste Blog, irei aprofundar as implicações para a cultura e fé cristã destes fatos temporais, do Covid 19 e de outros que virão, que felizmente tem a força para abalar o edifício cristão, mas não destrui-lo!
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